Deu para observar bem os olhos azuis dele, límpidos como uma pequena lagoa ao nascer. Deu para observar a barba rasteira e bem semeada, a roupa descontraída e jovem. Dela deu para observar os lábios perfeitos, como uma rosa quase-a-deixar-de-ser-botão. Os olhos grandes e mansos. Os montes semeados no peito, lado a lado, do tamanho das mãos dele.
Estavam demorados nisto quando o lugar ao lado dela ficou vazio. Ele sorriu-lhe sorrateiro e sentou-se ao pé dela. André, era ele. E eu? Joana - respondeu.
Convidou-a para ver um filme com ele no telemóvel, e foi a partilhar os auscultadores que lhe agarrou a mão pequena, macia e delicada. Joana sentiu uma paz imensa e uma felicidade que não se explica, sobretudo porque tudo isto era estranho com um estranho que lhe parecia familiar. Deve ser de outra vida que o conheço - pensou.
Quando o filme acabou estavam quase a chegar ao destino e foi então que perceberam que iam para a mesma cidade. Afinal ele era amigo de uma amiga dela e já se tinham visto numa festa de aniversário. Só que nenhum dos dois se lembrava disso. Foi a partir deste dia que não mais se separaram.

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