segunda-feira, 29 de junho de 2015

Distâncias

Os longos braços abetos transformaram-se num abraço que envolveu por completo a pequena criança. A pele luzidia e negra de ambos parecia gritar felicidade. A mulher rodopiava o filho incessantemente no ar num sorriso comum a ambos. Até que o miúdo pediu à mãe que o pusesse no chão.


Uma estação de comboios tem destas coisas. Os reencontros ou os pontos finais nas separações físicas de pessoas que se querem muito. Mas tem também o oposto. Os que partem para mais longe ou mais perto, os que vão por mais ou menos tempo.

Como o casal de idosos que entrou no comboio lavado em lágrimas, deixando do lado de fora da cidade uma família a acenar. Ou a namorada que ficou em terra a morder o lábio enquanto escreve uma mensagem de amor no telemóvel para o rapaz que vai sentado na primeira carruagem fardado de branco. 

Porque não podem estar sempre perto aqueles que amamos? Porque há distâncias físicas tão grandes a separar quem nunca se queria longe?  Há muitas respostas ou talvez nenhuma. O facto é que quando se reencontram duas pessoas que se querem bem a sensação é de que é preciso aproveitar a vida intensamente até que um comboio ou outro meio de transporte qualquer os separe de novo.

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