Foi num fim de tarde de Verão que vi pela primeira vez a mulher mais fantástica que já conheci. Eu estava sentado na esplanada da praia a beber uma cerveja antes de ir para casa. No momento em que pouso o copo gelado na mesa os meus olhos pousam nela.
Alta, morena, bem-constituída. O sol salgava-lhe a pele banhada de areia. Tinha um olhar verde profundo, enigmático, magnético. Vinha enrolada num daqueles panos de praia que as mulheres usam. E vinha na minha direcção. Eu estava em êxtase com aquela visão quando ela tropeçou e caiu a meus pés.
Peguei naquelas mãos delicadas e ajudei-a a levantar-se. Ela agradeceu com um sorriso que me apertou o coração. Ofereci-lhe uma água ou o que quisesse para que se recompusesse. Acenou positivamente com a cabeça. Ficámos à conversa por largas horas. Até o bar fechar. Na mesa ficou um monte de pratos esvaziados de petiscos e de copos nus.
Nunca tinha conhecido uma mulher tão bonita e com uma história de vida tão impressionante. Dava gosto ouvir também as suas opiniões e a sua visão do mundo. Conversar com ela era um prazer. Decidi convidá-la para beber um licor em minha casa. Aceitou o convite. Seguiu-me num pequeno carro utilitário até minha casa. Entrámos, servi o licor. Ela pediu um copo de água. Fui à cozinha buscar. Não me lembro do que se passou a seguir.
Só sei que acordei no chão do meu quarto. Estava vestido. Fita-cola grossa tapava-me a boca e envolvia-me os pés e as mãos. Olhei à volta e não restava nada a não ser os móveis e a estrutura da cama.
Decidi arrastar-me e procurar o telefone de casa. Quando finalmente cheguei à sala, vi que estava vazia. Só ficaram os sofás. Comecei a entrar em desespero. Ainda me arrastei lentamente até à porta para fazer barulho batendo com os pés na porta. Mas ninguém me ouvia. Os vizinhos deviam estar todos fora.
Não sei quanto tempo permaneci imóvel no chão. Sei que pareceu uma eternidade. Tinha fome, tinha sede, tinha vontade de ir à casa-de-banho. Pensei em formas de me desenvencilhar da fita-cola, mas nada me ocorria.
Acabei por adormecer no meio do desespero. Fui acordado por uma chave que rodava na porta. Era a mulher que me vinha limpar a casa uma vez por semana.
Afinal era terça-feira. E eu fui roubado e enganado por aquela mulher no domingo. Nunca mais consegui confiar em desconhecidas.
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