segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sida

Hoje é o dia que não quero lembrar, mas é também o dia que não posso esquecer. Há 18 anos o meu filho morreu. Tinha Sida. Hoje já se vive muitos anos com a doença. Na altura ele não conseguiu.

As lágrimas rolam-me indomáveis pela face enquanto escrevo estas linhas. Tenho saudades da voz dele, do sorriso e do cheiro dele. A perda de um filho é a maior que uma mãe pode ter. É uma provação. Nunca se recupera. 

Mas só consegui manter-me viva para lutar contra os preconceitos em relação aos doentes com Sida. Para lutar pelo direito à vida destas pessoas e uma vida normal. Têm direito ao trabalho e aos cuidados de saúde. Têm direito a não serem discriminadas. Têm direito às mesmas coisas do que as pessoas saudáveis.

Hoje continua a doer muito a partida do meu filho, como se tivesse morrido um pedaço de mim, da mãe Ana. Só que dói mais saber que ainda há muitas pessoas discriminadas e sem acesso aos cuidados de saúde adequados. 

Onde quer que estejas, meu menino, não duvides nem por um segundo que continuarei por aqui a lutar para que outros não sofram o que sofreste. 

Sem comentários:

Enviar um comentário