Acordou sobressaltado com a sensação de que o coração lhe iria saltar
pela boca. Olhou à volta, viu que estava no quarto, e concluiu que teria
apenas tido um pesadelo. Mas não foi. Na verdade, foi um tremor de terra
que o acordou.
O relógio marcava quatro e dez da manhã. Os primeiros raios de sol já
entravam pelo quarto, o que o fez pensar que nunca se conseguiria
habituar à duração dos dias nos países nórdicos. E agora nem era a
altura do ano em que a claridade chega mais cedo. Depois destes primeiros
pensamentos é que olhou à volta e viu os livros no chão e tudo
desordenado no quarto. Sentiu então a cama a abanar novamente e deu-se
conta de que era um sismo.
Agora é que não percebia nada. Um tremor de terra assim não era nada
comum nos países nórdicos. Só então se lembrou que o melhor seria
proteger-se, mas por mais que puxasse pela cabeça não se conseguia
lembrar de nenhuma das regras básicas de segurança.
Pelo contrário, só lhe ocorria saltar pela janela. Já estava a abri-la
quando raciocinou que não seria uma boa ideia saltar do 15.º andar.
Voltou para dentro. Fechou a janela.
Um novo tremor abalou o quarto. Foi
pôr-se debaixo da cama bem quietinho à espera que tudo passasse. Fechou
os olhos e imaginou que a mãe o abraçava, como quando em criança
acordava com pesadelos e tinha medo de fantasmas. A terra não parava de tremer e o temor dele crescia.
Subitamente a maçaneta rodou e ouviu passos. Uma mulher chamou pelo seu
nome. Saiu e pôs-se em pé. À sua frente estava a mãe. A mesma que tinha
morrido há quase vinte anos. Ele piscou os olhos e esfregou-os sem
perceber o que se passava.
- Amor, vim buscar-te para irmos para o céu. Morreste, mas não tenhas medo. A mãe está aqui para te abraçar.
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