segunda-feira, 16 de março de 2015

Amor

Não há maior e melhor amor na vida do que o amor por um filho. Já tive muitos homens em meio século de vida, mas nenhum se equipara ao amor pelo meu filho. 

O amor por um qualquer homem só leva à perdição, à desgraça, à miséria, à ignomínia. Pelo contrário, o amor por um filho eleva-nos, torna-nos superiores e quase celestiais. 

Temos a oportunidade de nos aperfeiçoarmos naquela figura e temos a ilusão de que podemos mudar o mundo com a sua educação. Pura ilusão. Mas impossível de ser afastada.

Facto é que nunca deixarei de amar o meu filho, ao passo que o amor por um homem muda de cambiante, transfigura-se e desvanesce com o tempo -  e sobretudo com a convivência.


Não preciso desses amores banais para viver. São como fósforos. Existem às centenas. Acendem-se, iluminam e depois apagam-se. Mas não saberia viver sem o amor do meu filho.


Não conseguiria mais respirar se não o pudesse ver mais na vida. Ouvir a sua voz, abraçá-lo, beijá-lo. Preferia atirar-me para a morte, qual Anna Karenina. Não suportaria ficar sem o amor mais puro, verdadeiro e eterno que existe neste mundo. 

Quem pensa de outro modo está enganado. Ou então teve a felicidade de encontrar um amor pleno num qualquer homem. Daqueles que se encontram uma vez de cem em cem anos.

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