Onde vão os rostos abatidos que me rodeiam nesta lata de sardinhas a que
chamam de metro? Uns irão para a escola e para a faculdade, outros para
o trabalho. Vai tudo ensonado e bem-cheiroso. Há uma nota de tristeza
no ar. Parece que não gostam das segundas-feiras.
Para mim não há melhor dia na semana. Tudo começa à segunda-feira e
todos os projectos e planos têm a esperança de serem concretizados. Tudo
é possível à segunda-feira.
Gosto deste dia sobretudo porque gosto do que faço. Ser guia turística é
como estar sempre de férias. A conhecer pessoas novas, a mostar-lhes a
minha cidade, a passear.
Alguém um dia disse que devíamos escolher um
emprego de que gostássemos e assim não teríamos que trabalhar um único
dia. Acho que é isto mesmo que resume a minha vida.
Este trabalho faz-me
sentir viva, com o sangue a correr nas veias. E o coração bate tão
forte que quase salta do peito quando um estrangeiro meagradece pelo
roteiro e elogia o meu trabalho no tempo que passámos juntos.
Por tudo isto é penoso olhar para a tristeza estampada nestes rostos que
me rodeiam nesta carruagem que rola pelo escuro túnel debaixo do chão.
Não sabem o que é a felicidade de fazer o que gostamos, de nos sentirmos realizados profissionalmente. Só pode ser esse o motivo para ver tantas caras fechadas à segunda-feira e tantos rostos alegres à sexta-feira.
Eles odeiam as segundas-feiras e desejariam que a vida fosse composta apenas
de fins-de-semana para os preencherem com romarias aos centros
comerciais e às depressivas lojas de móveis onde almoçam almôndegas sonhando que foram viajar para a Escandinávia.
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