terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A morte

A morte de quem gostamos e admiramos é sempre um motivo extra para analisarmos a nossa própria vida. 

Para além de tudo o que implica uma morte, para além da perda da pessoa e da oportunidade de continuar a aprender com ela, há o lado pessoal. O meu lado. O que “eu” em concreto perco com esta separação abrupta. 

É um lado egoísta, é certo. É como se eu pensasse nas consequências negativas que esta morte tem para mim. Em tudo o que perco com esta morte, em vez de pensar na pessoa que morreu e na sua família. 

E depois há a outra parte deste lado egoísta que é o exame de consciência, o exame da minha vida, o exame que me leva a pensar se eu estou a levar a vida para o lado correcto. Se estou a fazer tudo o que devo fazer para ser feliz e para fazer os outros felizes. 

Para que um dia quando chegar a minha hora, se eu puder examinar a minha vida nessa altura, eu possa pensar que tive uma vida preenchida e feliz, e que em geral fiz em tudo o melhor que podia fazer. Não deixar nada por dizer, não deixar nada por fazer. Não me esquecer de nada, nem de ninguém. 

No afã da vida diária, na correria do dia-a-dia, não sobra muito tempo para pensar. Mas é nestes momentos de morte e de solidão que melhor pomos a nossa vida em perspectiva. Nascemos na solidão e morremos na solidão. Ninguém nos acompanha. 

Mas podemos em vida escolher quem mais gostamos para nos acompanhar nesta viagem e podemos garantir que essa viagem é feita da melhor forma possível. E ser impaciente, muito impaciente. Que nunca tenhamos paciência para perder tempo com coisas que não valem a pena serem valorizadas e que só tenhamos tempo para o que é mais importante.

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