A
morte de quem gostamos e admiramos é sempre um motivo extra para
analisarmos a nossa própria vida.
Para além de tudo o que implica uma
morte, para
além da perda da pessoa e da oportunidade de continuar a aprender com
ela, há o lado pessoal. O meu lado. O que “eu” em concreto perco com
esta separação abrupta.
É um lado egoísta, é certo. É como se eu
pensasse nas consequências negativas que esta morte
tem para mim. Em tudo o que perco com esta morte, em vez de pensar na
pessoa que morreu e na sua família.
E depois há a outra parte deste lado
egoísta que é o exame de consciência, o exame da minha vida, o exame
que me leva a pensar se eu estou a levar a vida
para o lado correcto. Se estou a fazer tudo o que devo fazer para ser
feliz e para fazer os outros felizes.
Para que um dia quando chegar a
minha hora, se eu puder examinar a minha vida nessa altura, eu possa
pensar que tive uma vida preenchida e feliz, e
que em geral fiz em tudo o melhor que podia fazer. Não deixar nada por
dizer, não deixar nada por fazer. Não me esquecer de nada, nem de
ninguém.
No afã da vida diária, na correria do dia-a-dia, não sobra
muito tempo para pensar. Mas é nestes momentos de morte
e de solidão que melhor pomos a nossa vida em perspectiva. Nascemos na
solidão e morremos na solidão. Ninguém nos acompanha.
Mas podemos em
vida escolher quem mais gostamos para nos acompanhar nesta viagem e
podemos garantir que essa viagem é feita da melhor
forma possível. E ser impaciente, muito impaciente. Que nunca tenhamos
paciência para perder tempo com coisas que não valem a pena serem
valorizadas e que só tenhamos tempo para o que é mais importante.
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